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23 janeiro 2008

Parque Nacional do Caparaó - Pelos caminhos capixabas

04/01/2008



Bicicleta embalada, alforjes, capacete e tudo mais acomodados numa caixa de papelão.
Levei tudo para São Paulo e da rodoviária embarquei para Vitória no Espirito Santo.
Em Vitória encontrei o Ítalo, que será meu companheiro nesta viagem.
Como o Ítalo tinha um compromisso na terça feira, permanecemos em Vitória e aproveitamos o fim de semana para pedalar pelas praias ao norte de Vitória.
Fomos até a praia do fundão, acampando no camping do Marcelo.
Fomos muito bem atendidos pelo Marcelo que está investindo no camping mas faz um preço especial para ciclistas.
Fica na Av.Linhares 828, praia grande, Fundão. Em frente a pousada Joari.
(027) 3287-1399.
marcelofxavier@bol.com.br

Foram mais de 80km passando pelas belas praias de bicanga, Jacaraípe e Fundão.











09/01/2008 Vitória - Domingos Martins: 61 km.
Depois da paradinha estratégica em Vitória partimos para o Caparaó.
Deixamos Vitória debaixo de muita chuva.
Alguns trechos com muito movimento de caminhões até chegar ao trevo que leva a BR 262.
A elevação é constante tendo subidas bem puxadas.
Domingos Martins é um município colonizado por alemães e italianos.
Comidas típicas, paisagens serrana, oferecem ao turista muita tranquilidade.
A cidade oferece, também várias festas como a Sommerfest(festival da imigração alemã) e a Blumenfest(festa das flores).
Mais informação:


http://www.domingosmartins.es.gov.br/












Armamos nossas barracas numa praça pública com direito a água mineral da fonte da pracinha.

10/01/2008 : Domingos Martins - Venda Nova do Imigrante - 77 km
Saimos da altitude de 516 metros e vamos subindo constantemente até perto de 1000 metros.
Depois de 31 km paramos em Alto de Santa Maria, já no município de Marechal Floriano.
Atração são os doces e comidas típicas da região.
Continuamos subindo, retornando ao município de Domingos Martins, até Pedra Azul que é o ponto mais alto neste trecho.
A vista é deslumbrante com a Pedra Azul ao fundo.
Dai seguimos para Venda Nova, sendo contemplados com descidas alucinantes.
Cheguei a 67 km por hora, segurando a bike, que chegaria a muito mais se tivesse coragem para solta-la.


11/01/2008 : Venda Nova do Imigrante a Rive= 97,2 km

Pedalamos em direção a Castelo, passando ao largo do município de Cachoeiro do Itapemirim e Jerônimo Monteiro.

Este trecho é de descidas radicais , mas após Jerônimo Monteiro há uma subida desgastante. Dias lindos com muito calor.

Época de frutas, comemos muitas mangas coquinho direto dos pés, à beira da rodovia.












Assim chegamos em Rive, no município de Alegre.

Fomos acampar no pátio da escola Agrotécnica de Rive, com direito a banho de mangueira. Uma delícia.

Como havia muitas árvores e o tempo estava ótimo, armei minha rede e fui dormir ao relento tendo as estrelas como cenário naquela linda noite.

Minha rede é um equipamento fantástico. Muito confortável, leve e dotada de mosquiteiro permite muito conforto.

Ela é fabricada pela Kampa, que conheci na Adventure Fair em São Paulo. Aproveito para enviar um abraço para meu amigo Palmieri.

Haviamos descido de 1000 para 400 metros.

12/01/2008 : Rive a Guaçui = 37,7 km
25 km de subida até um lugarejo chamado Celina.
Debaixo de um calor intenso, num lindo dia, paramos para uma coca cola bem gelada. Um prêmio!


Na verdade estavamos acumulando o esforço destes dias.


Nada como uma paradinha para um merecido soninho na beira da estrada.

















Guaçui é onde moram os pais do Ítalo.


Vamos aproveitar para lavar as roupas e dormir numa cama.

13/01/2008 = Guaçui a Dores do Rio Preto 33,53 km.

Novamente subindo muito, mas as paisagens são muito bonitas.

Viaja-se todo tempo acompanhando o curso do rio que tem muitas cachoeiras e cenários incríveis.

Do outro lado do rio está o Estado de Minas Gerais.

O povoamento do município de Dores do Rio Preto data do final do século XIX. Sua denominação foi dada em homenagem à padroeira Nossa Senhora das Dores e ao Rio Preto que banha a cidade.
Dores do Rio Preto foi palco da "Guerrilha do Caparaó" em 1964, periodo de instabilidade política na época.

14/01/2008 : Dores do Rio Preto a Pedra Menina = 29,14 km

Conta a lenda que sobreviventes do dilúvio foram morar nas montanhas. Uma menina se destacava por sua rara beleza.

A aldeia crescia e tinha RUDÁ como divindade, que pregava a preservação da virgindade.

Para fugir das tentativas de sedução, a linda menina recorre aos poderes de RUDÁ e pede para ser transformada em pedra. Assim nasce a "Pedra Menina"

Acampamos no Camping do Sapico, à beira de uma corredeira. De noite dormimos embalados pelo barulho da água correndo sobre as pedras.

Os donos são muito simpáticos, oferecendo ovos caipira, cafezinho e muita conversa.

15/01/2008 - Pedra Menina a entrada do Portal do Caparaó. 11Km.


O Parque Nacional do Caparaó tem dois Portais, que são os acessos para o Pico Da Bandeira.

Um pelo lado Capixaba e outro pelo lado mineiro.
Ao chegar ao Portal, a altitude é de 1.340 metros.

Não é possível prosseguir com a bike. Também não é permitido continuar de moto ou carro.

Guias com carros com tração 4X4 são credenciados a levar turistas aos acampamentos.

O primeiro, subindo mais de 4 km e o segundo quase a mesma distância.

Do último acampamento ao topo, só à pé, pela trilha.

Para se ter uma idéia, o Portal está a 1340 metros e o pico a 2890 metros.

Fora de época, teriamos que pagar o preço do transporte sem ter outros turistas para dividir os custos.

Com muita chuva e dia encoberto achamos que não valia à pena pois não daria para ver nada.

Paramos para fazer nosso almoço e decidimos voltar para o camping de Pedra Menina.

16/01/2008 : Voltando para Pedra menina, Dores do Rio Preto e Guaçui.

Fizemos este retorno com muita calma, aproveitando as lindas paisagens e as conversas com o povo local.

Já existem muitas casas que oferecem "cama e café" ao preço de CR$ 20,00.

Há também muitos restaurantes com aquela comidinha feita no fogão à lenha.

Encontramos alguns estrangeiros, mas falta muito para a região ser conhecida. Falta divulgação.

Deixei o Ítalo em Guaçui e voltei para Santos.




Resumo:


Pedalamos perto de 500km numa região serrana com alto grau de dificuldade.
Em várias ocasiões tivemos que empurrar a bike bem como pedalamos em velocidades abaixo de 5 km por hora.

Fugimos um pouco do modo espartano da prática do cicloturismo, não conseguindo resistir às comidinhas caseiras, docinhos e cervejinhas geladas.

O que valeu à pena foram as paisagens fantásticas e o contato com este povo maravilhoso, sempre presente fora das grandes capitais.

Nosso equipamento foi duramente testado e aprovado. Eu aproveitei para testar um fogareiro multi fuel, cujo resultado foi ótimo.

Creio que estamos prontos para a Carretera Austral, no próximo ano.


Quero agradecer a tantos anônimos que prestativamente nos ajudaram, bem como aos pais do Ítalo em Guaçui.


Em especial ao Ítalo, meu companheiro de viagem, com o qual dividi os bons e maus momentos desta aventura. Obrigado, amigo. Vamos pedalar mais vezes por ai.



Fica, também, um sentimento especial de ter vencido desafios, convivido intensamente comigo mesmo.

Obrigado!



Santos, 23 de janeiro de 2008.




























Um comentário:

Valdo (Valdecir João Vieira) - Cicloturista disse...

Oi Roberto,
Parabéns pelo relato e pela aventura.
Vejo com alegria que você venceu os desafios.
É isso aí, sempre para frente, ume pedalada depois da outra.
A Carretera Austral é um sonho que vale a pena ser realizado.
Abraços

Valdo

O prazer de pedalar!

O prazer de pedalar!
Sem pressa, pelo mundo afora